Livro| 10 de janeiro de 2013 | 10h 27
Aprenda com os erros cometidos pelos Beatles quando eles decidiram ser empreendedores
Livro 'A batalha pela alma dos Beatles' pode ser encarado como uma sessão de aprendizado para pequenos empresários

O livro 'A Batalha pela alma dos Beatles', que acaba de ser
lançado no Brasil pela editora Nossa Cultura, pode ser lido não apenas como um
relato a respeito da agonizante separação daquela que é considerada a maior
banda de rock de todos os tempos.
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A narrativa de Peter Doggett pode ser encarada
sob o ponto de vista do empreendedorismo. E, ao fazê-lo, o leitor mais atento
perceberá uma série de erros dos quatro rapazes de Liverpool no exato momento
em que decidiram criar a Apple Corps, uma empresa multimidiática que tinha tudo
para dar certo, mas que fracassou com louvor.
O primeiro erro constatado pelo autor é a falta de objetividade da empresa. A
Apple Corps nasceu como uma gravadora, mas também havia ali, por exemplo, uma
divisão de invenções, capitaneada por Alexis Mardas. Grego de nascimento, Magic
Alex, como ficou conhecido em Londres na década de 60, ganhou dos chefes a
incumbência de criar o mais inovador estúdio de gravações até então visto. Algum tempo depois, e após o investimento de muito, muito
dinheiro, engenheiros de som ingleses chegaram à conclusão de que o estúdio
entregue simplesmente não 'funcionava'. Em outras palavras: não poderia ser
usado por músicos por uma série de questões técnicas ignoradas por seu
idealizador na concepção do projeto.
No livro, Doggett também menciona que muitos dos gastos pessoais de diversos
funcionários eram inadvertidamente incorporados ao orçamento da empresa - com a
vaga esperança, relata o autor, de que eles não seriam notados. Foram.
Mais do que isso, 'A Batalha pela alma dos Beatles' deixa clara a falta de
comando da empresa. John, Paul, George e Ringo mandavam ao mesmo tempo na
corporação. Ditavam ordens e regras. E isso tinha um preço: a confusão dos
funcionários, que frequentemente não sabiam qual caminho trilhar. Sem contar o aparente
amadorismo que envolvia a corporação. Segundo Doggett, uma pessoa simpática que
visitasse a Apple poderia sair de lá com uma coleção completa de discos, sem
que houvesse efetivamente uma troca de dinheiro envolvida na operação.
A falta de objetividade e a ausência de comando por parte dos proprietários, no
entanto, pareciam coisa pouca diante do principal problema dos
músicos/empreendedores: o fim da sociedade. O ponto alto do livro está na
capacidade do autor em relatar o turbilhão de brigas entre os quatro rapazes de
Liverpool. Eles não queriam estar mais juntos. George havia abandonado uma
sessão de gravações após um sério desentendimento com John.
Pouco tempo depois, Lennon pularia o portão da casa de Paul
e discutiria aos berros com o 'amigo' sobre a falta de comprometimento de
McCartney - sem avisar ninguém, o músico simplesmente deixara os três
companheiros de banda esperando no estúdio para uma gravação. Isso sem contar
todos os problemas causados pelo então recente relacionamento de Lennon com
Yoko Ono.
A magia havia ido embora, a afinidade havia sido perdida e os objetivos não
eram mais os mesmos. Por isso, como imaginar que uma sociedade nos negócios
entre eles daria certo?
Serviço
A Batalha pela alma dos Beatles
Editora Nossa Cultura
512 páginas
R$ 69 (à venda no site da editora)

Confira um vídeo com a música que Paul McCartney escreveu durante esse período e que retrata muito bem o momento vivido pelos músicos.

