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| 26 de julho de 2012 | 6h 23

Nostalgia é trunfo para escola de caligrafia sobreviver em plena era digital

Espaço cobra R$ 200 pela mensalidade e conta com cerca de mil alunos ativos mesmo em plena era digital

Renato Jakitas, Estadão PME

José Patrício/AE
José Patrício/AE
Antonio De Franco administra um dos últimos espaços para aprender caligrafia no Brasil

 Do lado de fora, a Escola de Caligrafia De Franco parece um espaço enigmático. O local chama a atenção de quem passa pela Avenida Rebouças, em São Paulo, por abrigar um negócio – em plena era digital – onde tudo remete ao universo da educação de três, quatro décadas atrás.

A nostalgia, aliás, é o trunfo de Antônio De Franco, que administra um dos últimos espaços dedicados ao ensino da caligrafia no Brasil. Vestido durante a semana com um simbólico guarda-pó branco, o empreendedor avalia que tradição é “o espírito da coisa” e até franze a testa quando levado a encarar o espaço como negócio.

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“Isso aqui é uma escola de 97 anos. E chegamos até aqui porque fazemos exatamente a mesma coisa desde sempre”, afirma o homem, que é o terceiro em tudo na família: o terceiro Antônio (ele tem o mesmo nome do pai e do avô), o terceiro advogado (como os antepassados, todos formados pela Faculdade São Francisco) e a terceira geração no comando da empresa.

“Meu avô compilou os conhecimentos da família, patenteou o método e assim estamos até hoje, com o meu filho, o quarto Antônio, que também é advogado, assumindo a escola e ensinando da mesma maneira.”

Atrás de uma mesa sem computador e abarrotada de pastas de papelão, que guardam o histórico dos mil alunos ativos da instituição, ele tenta explicar o segredo da empresa, que se mantém cobrando mensalidades de R$ 200 por aulas presenciais e por correspondência, que representam 60% do movimento. “A gente faz isso aqui com amor e muito respeito. A escola é minha vida”, afirma.

Basicamente, a estratégia de Antônio De Franco é pegar nas mãos do estudante e o fazer recomeçar do zero o processo mecânico de produção de letras: do ‘a-b-c-d’ ao pingo no ‘i’.

“Cerca de 90% dos nossos alunos querem apenas melhorar a estética da escrita. Os demais serão calígrafos profissionais. Mas tanto faz o objetivo. Começamos sempre com lições de hastes e elipses. Depois, formamos as vogais, as consoantes, frases, maiúsculas, minúsculas e números”, ensina o professor. “E qualquer pessoa consegue ter letra bonita em dois meses”, garante.

Planejamento
Questionado sobre o futuro virtual iminente e a consequente queda no interesse das pessoas pela caligrafia elaborada, por exemplo, nos convites de casamento, Franco dá de ombros. Para ele, o computador é aliado, não rival. “As pessoas se esqueceram como se escreve com o (uso do) computador. Na hora que precisam, como em um concurso público, lembram de nós, que estamos no mesmo lugar”, afirma.

Um acerto
A Escola De Franco é prova cabal de que toda a regra tem exceção. Antônio manteve o negócio nos trilhos sem mudar nada do que era feito pelos seus antecessores – exatamente o contrário daquilo que pensam os especialistas em empresas familiares, que recomendam um choque de gestão quando o comando da empresa troca de mãos.

Um erro
A estratégia ‘time que está ganhando não se mexe’, embora eficiente para a escola, pode não ser duradoura – principalmente por causa do avanço digital decorrente da popularização da internet. Dessa forma, apostar na demanda atual, baseada em exames vestibulares e também em concursos públicos, pode comprometer a sobrevivência da empresa no futuro.

Uma dica
Apostar na tradição e divulgá-la para o público como principal diferencial do empreendimento é fundamental para amealhar novos alunos para o curso de caligrafia. A estratégia é seguida diariamente por Antônio, atual administrador do negócio. Ele não deixa computadores à vista no prédio e faz questão de usar um tradicional guarda-pó de professor.

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